CLANDESTINAMENTE

Ministros do STF acreditam que foram gravados por Toffoli em sessão secreta

Relatos indicam crise e quebra de confiança na Corte; magistrado nega ter registrado conversas
Por Redação 13/02/2026 - 18:18
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  Ministros do STF suspeitam de gravação por Toffoli
 Ministros do STF suspeitam de gravação por Toffoli

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) acreditam que foram gravados clandestinamente pelo colega Dias Toffoli durante sessão secreta realizada na quinta-feira, 12, que decidiu pela saída dele da relatoria do processo do Banco Master. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira, 13, pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.

Os diálogos vieram à tona em reportagem do Poder360, que reproduziu falas literais de ministros com precisão. Integrantes da Corte afirmaram à coluna de Bergamo que chegaram a encaminhar a reportagem a Toffoli, apontando que a gravação teria ocorrido.

Toffoli negou ter feito qualquer registro. “Não gravei e não relatei nada para ninguém”, afirmou à coluna. Em seguida, levantou a hipótese de que algum funcionário do setor de informática poderia ter realizado a gravação.

Segundo a publicação, magistrados classificaram a situação como sem precedentes, marcada por perplexidade, desconforto e quebra inédita de confiança. A reunião foi restrita aos ministros, sem autorização de acesso a terceiros, o que reforça, na avaliação deles, a certeza de que o registro teria sido feito por um dos presentes.

A reportagem do Poder360 afirma que o encontro “teve um forte tom político e uma busca de autopreservação por parte de todos os ministros” e destaca que muitos magistrados apoiavam Toffoli.

Entre as falas reproduzidas, o ministro Gilmar Mendes teria dito que decisões de Toffoli no caso Master contrariaram a Polícia Federal e que a corporação teria buscado revidar.

Já Cármen Lúcia aparece defendendo a necessidade de “pensar na institucionalidade”, apesar de afirmar ter confiança em Toffoli. Luiz Fux declarou voto favorável ao colega, afirmando que ele tem “fé pública”.

A publicação também cita manifestações de Nunes Marques, que classificou a situação como “um nada jurídico” e criticou a possibilidade de votação da suspeição. André Mendonça contestou a existência de relação íntima envolvendo Toffoli, enquanto Cristiano Zanin apontou supostas nulidades no material apresentado.

Flávio Dino também criticou o relatório da Polícia Federal e afirmou que a crise era política, defendendo que o tema fosse resolvido no âmbito da presidência da Corte, comandada por Edson Fachin.

Apesar das manifestações registradas, os magistrados concluíram que o melhor para o STF era o afastamento de Toffoli da relatoria. Segundo um integrante ouvido pela coluna, a suspeita de que o ministro tenha gravado os próprios colegas pode isolá-lo na Corte, diante da quebra de confiança gerada pelo episódio.


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